Construção da Neo Química Arena: A casa do Corinthians
A construção da Neo Química Arena, estádio do Corinthians em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, começou em 30 de maio de 2011 e foi concluída em 2014, a tempo de receber a abertura da Copa do Mundo, Brasil 3 x 1 Croácia, em 12 de junho daquele ano. A obra foi tocada pela Odebrecht, financiada com empréstimo do BNDES e incentivos fiscais da Prefeitura, e custou perto de R$ 1 bilhão.
Este verbete reúne a origem do terreno, o caminho até a escolha para a Copa, as etapas e os acidentes da obra, o modelo de financiamento e a mudança de nome em 2020, com uma cronologia completa ao final.
Resumo rápido sobre a construção da Neo Química Arena
- O terreno em Itaquera foi cedido ao Corinthians pela Prefeitura em 1978, em regime de concessão.
- As obras começaram em 30 de maio de 2011, com a Odebrecht como construtora.
- O projeto arquitetônico é de Aníbal Coutinho, do escritório carioca CDC.
- Três operários morreram em dois acidentes, em novembro de 2013 e março de 2014.
- O primeiro jogo oficial foi em 18 de maio de 2014: Corinthians 0 x 1 Figueirense.
- Desde setembro de 2020 o estádio se chama Neo Química Arena, por contrato de naming rights com a Hypera Pharma.
O terreno de Itaquera e o sonho do estádio próprio
Durante quase toda a sua história, o Corinthians mandou os jogos grandes no Pacaembu, estádio municipal, e no Morumbi, do São Paulo. O Estádio Alfredo Schürig, a Fazendinha, no Parque São Jorge, sempre foi pequeno demais para a torcida.
A área onde a arena está hoje foi conseguida na gestão de Vicente Matheus. Em novembro de 1978, o prefeito Olavo Setúbal concedeu ao clube cerca de 197 mil metros quadrados em Itaquera, por 90 anos. A concessão foi renovada em 1988. O terreno ficou décadas sem uso para um estádio, e vários projetos foram anunciados e abandonados.
Do anúncio à escolha para a abertura da Copa
A virada aconteceu em 2010, com a gestão de Andrés Sanchez. O projeto foi apresentado em agosto daquele ano, às vésperas do centenário do clube. Há registros de datas diferentes para o anúncio: a imprensa paulista cita uma entrevista de Sanchez em 13 de agosto, enquanto outras fontes mencionam 31 de agosto.
O contexto ajudou. São Paulo precisava de um estádio para a Copa de 2014, e o Morumbi tinha sido considerado inadequado pelas exigências da Fifa. O estádio corintiano assumiu esse papel, e em outubro de 2011 a Fifa confirmou que a partida de abertura do Mundial seria disputada em Itaquera.
As etapas da obra
A terraplenagem começou em 30 de maio de 2011, e o contrato com a Odebrecht foi assinado em 19 de julho do mesmo ano. A obra foi dividida em blocos: os prédios Oeste e Leste, mais altos e com camarotes, cabines de imprensa e áreas internas, e os setores Norte e Sul, atrás dos gols.
O projeto é assinado pelo arquiteto Aníbal Coutinho, do escritório CDC (Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos). A cobertura foi projetada pelo engenheiro alemão Werner Sobek. Andrés Sanchez acompanhou a obra como gestor do projeto pelo clube.
Para atender à Copa, foram instaladas arquibancadas provisórias nos setores Norte e Sul. Com elas, a capacidade passou de 60 mil lugares durante o torneio; depois do Mundial, as estruturas foram retiradas e o estádio voltou à configuração permanente, de cerca de 49 mil lugares. Os números exatos variam conforme a fonte e a configuração considerada.
Os acidentes durante a construção
Em 27 de novembro de 2013, um guindaste que içava uma peça da cobertura tombou sobre parte do prédio Leste, matando dois operários. O acidente destruiu parte da estrutura e paralisou a montagem da cobertura por alguns dias. As investigações apontaram problemas no solo sob o equipamento, e o caso foi parar na Justiça.
No fim de março de 2014, um terceiro trabalhador morreu ao cair de uma altura de cerca de 8 metros enquanto montava as arquibancadas provisórias. Os dois episódios reforçaram as cobranças sobre a segurança no canteiro em plena reta final para a Copa.
Financiamento e custo
O modelo financeiro foi um dos pontos mais debatidos. O clube contou com R$ 400 milhões do BNDES, pelo programa ProCopa Arenas, em contrato assinado em 29 de novembro de 2013, com a Caixa Econômica Federal como agente repassador. A Prefeitura de São Paulo concedeu cerca de R$ 420 milhões em incentivos fiscais, na forma de certificados que podiam ser negociados.
O valor final da obra é citado de formas diferentes. Depois das adaptações para a Copa, o preço acordado com a construtora chegou a R$ 820 milhões. Levantamentos posteriores falam em valores entre R$ 965 milhões e perto de R$ 1,2 bilhão, e a conta sobe bastante quando se consideram os juros do financiamento. O pagamento da dívida com a Caixa foi renegociado, e o prazo noticiado pela imprensa vai até 2041.
Números do estádio
- Área do terreno: cerca de 197 mil metros quadrados.
- Capacidade permanente: cerca de 49 mil lugares.
- Acesso: ao lado da estação Corinthians-Itaquera, na Linha 3-Vermelha do metrô.
- Maior público: 63.267 pessoas em Holanda x Argentina, semifinal da Copa de 2014.
Inauguração, Copa e grandes eventos
A estreia oficial foi em 18 de maio de 2014, pelo Brasileirão: o Corinthians perdeu por 1 a 0 para o Figueirense, com gol do meia Giovanni Augusto, o primeiro da história da arena.
Na Copa de 2014, foram seis partidas, incluindo a abertura, um jogo de oitavas de final e a semifinal entre Holanda e Argentina, que terminou 0 a 0 e foi decidida nos pênaltis a favor dos argentinos. O estádio também recebeu jogos do futebol nos Jogos Olímpicos de 2016 e da Copa América de 2019.
Sem nome oficial nos primeiros anos, a arena ficou conhecida pelo apelido Itaquerão. Em 1º de setembro de 2020, no aniversário de 110 anos do Corinthians, foi anunciado o contrato de naming rights com a Hypera Pharma, dona da marca Neo Química, por 20 anos. O valor divulgado pela maior parte da imprensa gira em torno de R$ 300 milhões.
Cronologia da construção
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| Nov/1978 | Prefeitura concede o terreno de Itaquera ao Corinthians |
| 1988 | Concessão renovada |
| Ago/2010 | Projeto do estádio é apresentado |
| 30/5/2011 | Início das obras |
| 19/7/2011 | Assinatura do contrato com a Odebrecht |
| Out/2011 | Fifa confirma a abertura da Copa em Itaquera |
| 27/11/2013 | Queda de guindaste mata dois operários |
| 29/11/2013 | Assinatura do financiamento de R$ 400 milhões do BNDES |
| Mar/2014 | Operário morre na montagem das arquibancadas provisórias |
| 18/5/2014 | Primeiro jogo oficial: Corinthians 0 x 1 Figueirense |
| 12/6/2014 | Abertura da Copa: Brasil 3 x 1 Croácia |
| 1º/9/2020 | Estádio passa a se chamar Neo Química Arena |
Perguntas frequentes sobre a construção da Neo Química Arena
Quanto tempo durou a construção da arena?
Cerca de três anos. As obras começaram em 30 de maio de 2011 e o estádio foi entregue em 2014, poucas semanas antes da abertura da Copa.
Quem construiu o estádio do Corinthians?
A construtora foi a Odebrecht. O projeto arquitetônico é de Aníbal Coutinho, do escritório CDC, e a cobertura foi projetada por Werner Sobek.
Quanto custou a Neo Química Arena?
Os valores divergem conforme o critério. O preço acordado foi de R$ 820 milhões, e levantamentos posteriores apontam entre R$ 965 milhões e cerca de R$ 1,2 bilhão, sem contar os juros do financiamento.
Por que o estádio era chamado de Itaquerão?
Porque fica no bairro de Itaquera e não tinha nome oficial antes do contrato de naming rights, assinado em 2020.
Qual é a capacidade da Neo Química Arena?
Na configuração permanente, cerca de 49 mil lugares. Durante a Copa de 2014, com arquibancadas provisórias, passou de 60 mil.