O hino oficial do Corinthians, conhecido pelo título “Campeão dos Campeões”, foi composto pelo radialista Lauro D’Ávila em 1953, de acordo com o site oficial do clube, e substituiu uma marchinha de 1930 que nunca conquistou a arquibancada. Algumas reportagens e peças judiciais registram 1952 como ano da composição, divergência comum em obras populares daquele período.
Nas próximas seções, o leitor encontra o perfil do autor, a trajetória da canção do estúdio de rádio ao disco, o motivo de ela ter se tornado obrigatória antes das partidas, a longa disputa sobre direitos autorais encerrada em 2026 além do vídeo do hino e do link para a letra completa no site oficial do clube.
Resumo rápido do hino do Corinthians
- Título: “Campeão dos Campeões”, também registrado como “Hino do Corinthians”.
- Autor: Benedito Lauro D’Ávila, radialista paulistano que morreu em 1985.
- Ano: 1953, segundo o clube; parte da imprensa cita 1952.
- Primeira gravação: feita nos estúdios da Rádio Bandeirantes, na voz de Osny Silva, com lançamento pela gravadora Continental.
- Antecessor: uma marchinha de 1930, com música de La Rosa e letra de Eduardo Dohmen.
- Consagração: a campanha do título paulista de 1954, ano do IV Centenário de São Paulo.
- Direitos: a Justiça paulista reconheceu o uso gratuito pelo clube, em decisão definitiva no início de 2026.
- Onde ler a letra: na página de identidade do site oficial do Corinthians, com link mais abaixo.
Quem foi Lauro D’Ávila
Benedito Lauro D’Ávila trabalhava no rádio paulistano, veículo que nos anos 1950 era o principal palco da música popular e das transmissões esportivas. Foi nesse ambiente que ele escreveu a canção que o Corinthians adotaria como hino. O compositor morreu em 1985, e sua obra passou a ser administrada por editoras musicais, ponto que décadas depois levaria o clube aos tribunais.
Documentos citados na ação judicial mostram que o Ecad mantém a música cadastrada sob três títulos diferentes: “Hino do Corinthians”, “Hino do Corinthians/Campeão dos Campeões” e “Campeão dos Campeões”. Os mesmos registros apontam outras duas obras de D’Ávila com tema alvinegro, intituladas “Hino dos anos 60” e “Gaviões da Fiel”, o que indica uma relação duradoura do autor com o universo corintiano.
Existe ainda uma versão familiar sobre a autoria da melodia. Rubens Russomanno Ricciardi, maestro e professor da USP, afirma que a música foi feita por seu avô, Edmundo Russomanno, e que seu tio, Adelino Ricciardi, então editor da Revista Corinthians, encomendou novas composições ao clube em 1952. O Corinthians, porém, credita o hino apenas a Lauro D’Ávila, e é esse o crédito que aparece nos registros oficiais e na decisão judicial.
O hino de 1930 que ficou para trás
Antes do “Campeão dos Campeões”, o clube teve um primeiro hino, composto em 1930 no formato de marchinha, gênero que dominava o carnaval e as rádios da época. A música era de La Rosa, a letra de Eduardo Dohmen, e a obra foi dedicada ao presidente Felipe Colonna. A gravação ficou a cargo da dupla Guarani e Pirajá.
Apesar de ter registro em disco, a marchinha não se firmou entre os torcedores. Durante mais de duas décadas, o Corinthians conviveu com um hino pouco cantado, situação que abriu espaço para uma nova composição no início dos anos 1950. O site oficial do clube mantém as duas letras publicadas lado a lado, o que permite comparar o tom festivo da primeira com o caráter solene da atual.
Do estúdio da Bandeirantes ao disco da Continental
A primeira gravação do hino atual foi realizada nos estúdios da Rádio Bandeirantes, em São Paulo, com interpretação do cantor Osny Silva. O disco saiu pela gravadora Continental, uma das mais ativas do país naquele período. A escolha de um intérprete conhecido do rádio ajudou a música a circular rapidamente fora do ambiente do clube.
Musicalmente, a obra se divide em duas partes. A abertura tem andamento mais lento e tom de exaltação; a segunda parte acelera e reforça a ideia de grandeza do clube entre os times brasileiros. Essa estrutura facilita o canto coletivo, porque a torcida costuma acompanhar com mais força o trecho final, mais rápido.
Ao longo das décadas surgiram muitos arranjos. Um dos mais recentes foi apresentado em novembro de 2020 pela USP Filarmônica, com arranjo de Rubens Russomanno Ricciardi para violões, percussão, orquestra de cordas e clarineta. Os músicos gravaram suas partes separadamente por causa do isolamento imposto pela pandemia de covid-19, e a versão foi dedicada a Sócrates e à Democracia Corinthiana.
Por que o hino virou ritual de estádio
A adoção do “Campeão dos Campeões” coincidiu com uma fase vitoriosa. Em 1954, ano em que a cidade comemorava o IV Centenário, o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista daquela temporada, e a canção passou a ser associada ao título. Desde então ela é executada nos jogos do clube e entoada pela torcida antes do apito inicial.
O clube também usou o hino como ferramenta de aproximação com o público. Em agosto de 2011, às vésperas do aniversário de 101 anos, o Corinthians lançou uma promoção em que os torcedores gravavam vídeos cantando o hino, sozinhos, em grupo ou com instrumentos, e os publicavam na internet. Os mais votados seriam premiados.
A briga judicial pelos direitos do hino
A defesa do Corinthians sustenta que, em 1955, Lauro D’Ávila fez um acordo verbal com o clube, liberando o uso gratuito da música em troca da divulgação do seu trabalho. O arranjo funcionou durante décadas, até que, em 2014, duas editoras que representam os interesses ligados à obra notificaram o clube cobrando pelo uso. Os nomes que aparecem no processo são Musical Corisco e Musiclave.
As editoras alegaram que não havia nenhum documento autorizando o uso sem pagamento e apresentaram um contrato firmado com o compositor anos depois, registrado no Ecad. O Corinthians foi à Justiça de São Paulo, e a ação ganhou repercussão em 2023. Na primeira instância, a juíza Marcella Leal Restum, da 30ª Vara Cível, reconheceu a validade do acordo verbal com base no Código Civil de 1916, em vigor na época.
Os advogados do clube citaram um precedente de 2007, quando a Justiça do Rio de Janeiro deu ganho de causa ao Fluminense em disputa semelhante sobre o próprio hino. Segundo a cobertura jurídica, a decisão a favor do Corinthians transitou em julgado no início de janeiro de 2026. A execução pública em estádios e transmissões continua seguindo as regras do Ecad, que trata da remuneração por execução de obras musicais.
Letra do hino do Corinthians
Salve o Corinthians
O campeão dos campeões
Eternamente
Dentro dos nossos corações
Salve o Corinthians
De tradições e glórias mil
Tu és orgulho
Dos desportistas do Brasil
Teu passado é uma bandeira
Teu presente, uma lição
Figuras entre os primeiros
Do nosso esporte bretão
Corinthians grande
Sempre altaneiro
És do Brasil
O clube mais brasileiro
Ouça o hino e veja a letra completa
O vídeo abaixo é um dos mais assistidos do hino corintiano no YouTube, com mais de 20 milhões de visualizações, e traz a gravação completa do “Campeão dos Campeões”.
A letra completa do hino atual, e também a do hino de 1930, está publicada na página de identidade do site oficial do Corinthians, que ainda oferece o download da gravação oficial.
| Item | Hino de 1930 | Hino atual |
|---|---|---|
| Formato | Marchinha | Hino em duas partes, com abertura lenta e final acelerado |
| Autoria | Música de La Rosa e letra de Eduardo Dohmen | Lauro D’Ávila, segundo o clube |
| Ano | 1930 | 1953 (há registros que citam 1952) |
| Primeira gravação | Dupla Guarani e Pirajá | Osny Silva, nos estúdios da Rádio Bandeirantes |
| Homenagem | Dedicado ao presidente Felipe Colonna | Exaltação do clube como campeão |
| Situação | Substituído, sem adesão da torcida | Oficial e executado nos jogos |
Perguntas frequentes sobre o hino do Corinthians
Quem compôs o hino do Corinthians?
O clube credita o “Campeão dos Campeões” ao radialista Benedito Lauro D’Ávila. Há uma versão defendida por familiares do maestro Edmundo Russomanno de que ele seria o autor da melodia, mas esse crédito não aparece nos registros oficiais.
Em que ano o hino atual foi criado?
O site oficial do Corinthians informa 1953. Reportagens e textos ligados ao processo judicial mencionam 1952, e a canção só ganhou popularidade de fato com o título paulista de 1954.
Quem cantou a primeira gravação do hino?
A primeira gravação teve a voz de Osny Silva, foi feita nos estúdios da Rádio Bandeirantes e saiu em disco pela gravadora Continental.
O Corinthians precisa pagar para usar o próprio hino?
Não para o uso institucional. A Justiça de São Paulo reconheceu o acordo verbal de 1955 que liberava o clube de pagar às editoras, e a decisão se tornou definitiva em janeiro de 2026. A execução pública em eventos segue a sistemática do Ecad.
Onde encontrar a letra do hino do Corinthians?
A letra completa está publicada na página de identidade do site oficial do Corinthians, que também disponibiliza a gravação oficial para download.