Por que o escudo do Corinthians tem âncora e remos?
O escudo do Corinthians tem âncora e remos por causa dos esportes náuticos, que o clube praticava no Rio Tietê, vizinho do Parque São Jorge. Os dois elementos, que vieram do distintivo do departamento de remo, foram incorporados ao escudo principal em 1939, segundo o clube, com desenho atribuído ao pintor Francisco Rebolo, ex-jogador corintiano. Algumas publicações datam a mudança de 1940. Desde então, âncora e remos nunca mais saíram do emblema.
O escudo atual é resultado de mais de um século de ajustes, que incluíram monogramas, a bandeira do Estado de São Paulo e estrelas que ficaram no distintivo por duas décadas. A seguir, você confere de onde vieram a âncora e os remos, o que significa cada elemento e como o escudo mudou desde 1913.
Resumo rápido sobre o escudo do Corinthians
- Âncora e remos: homenagem aos esportes náuticos, especialmente o remo, praticado no Rio Tietê.
- Quando entraram: em 1939, segundo o clube, com desenho atribuído a Francisco Rebolo.
- Origem dos elementos: distintivo do departamento de remo, criado em 1926.
- Bandeira paulista: no centro do escudo desde 1919.
- Primeiro escudo: 1913, com as letras C e P entrelaçadas.
- Versão atual: redesenho de 1980, feito pelo artista plástico Orfeu Maia.
- Estrelas: usadas de 1990 a 2011, quando o clube decidiu retirá-las.
De onde vêm a âncora e os remos
Em 1926, o Corinthians comprou o terreno do Parque São Jorge, no Tatuapé, às margens do Rio Tietê. A proximidade com o rio levou o clube a investir em modalidades aquáticas, com destaque para o remo. Segundo o próprio clube, o interesse pela modalidade vinha desde 1918, quando o Corinthians ainda buscava acesso ao Tietê para montar uma escola de polo e remo.
Também em 1926, Antonio Ferreira de Souza, conhecido como Skafanhask, criou um distintivo para o departamento de remo com uma boia, dois remos cruzados e uma âncora. Em 1933, na gestão do presidente Alfredo Schürig, o clube comprou dez barcos do Clube Esperia e organizou de vez a participação em competições. Alguns anos depois, os símbolos da seção náutica foram levados para o escudo principal.
O papel de Francisco Rebolo
O desenho que juntou âncora e remos ao escudo é atribuído a Francisco Rebolo Gonsales, nascido em São Paulo em 1902 e morto em 1980. Antes de se tornar um pintor reconhecido, ele jogou no Corinthians nos anos 1920. Segundo o clube, a nova versão passou a aparecer nas camisas em 1939.
O que significa cada elemento do escudo
- Âncora e remos: representam os esportes náuticos e aparecem em vermelho, atrás do círculo central.
- Bandeira de São Paulo: ocupa o centro, com listras pretas e brancas e o retângulo vermelho, e liga o clube ao estado.
- Círculo com o nome: traz “Sport Club Corinthians Paulista” ao redor da bandeira.
- Cores: preto e branco, as cores do clube, com o vermelho vindo da bandeira e dos remos.
A âncora e os remos são o principal motivo pelo qual o escudo tem vermelho, apesar de o Corinthians ser alvinegro. Essa cor nunca chegou aos uniformes principais, e por isso o clube não é chamado de tricolor.
A bandeira paulista no escudo
A bandeira do Estado de São Paulo entrou no distintivo em 1919, junto com o nome completo do clube e a data de fundação. A escolha reforçava o “Paulista” do nome. Durante o Estado Novo, a partir de 1937, os símbolos estaduais foram proibidos por Getúlio Vargas, e há relatos de que a bandeira paulista seguiu viva no escudo corintiano nesse período. Em 1980, o desenho da bandeira ficou mais ondulado, para transmitir dinamismo e movimento.
A evolução do escudo do Corinthians
Nos primeiros anos, o Corinthians jogava sem escudo. O primeiro emblema surgiu em 1913, às pressas, porque o clube precisava de um distintivo para disputar a Liga Paulista. A partir daí, foram várias mudanças até chegar à forma redonda e à composição atual.
Dos monogramas ao formato redondo
O emblema de 1913 trazia apenas as letras C e P, de Corinthians Paulista. Em 1914, o litógrafo Hermógenes Barbuy, irmão do jogador Amílcar Barbuy, criou uma versão com moldura. Em 1915, a letra S foi incorporada, e o C passou a valer também para Club, formando a sigla do nome completo. O formato redondo, base do escudo atual, apareceu em 1916.
| Ano | Mudança no escudo |
|---|---|
| 1913 | Primeiro escudo, com as letras C e P entrelaçadas |
| 1914 | Hermógenes Barbuy cria uma versão com moldura |
| 1915 | Entra a letra S, de Sport, e a moldura é alterada |
| 1916 | Aparece o formato redondo, mantido até hoje |
| 1919 | Bandeira de São Paulo, nome do clube e data de fundação |
| 1939 | Âncora e remos, com desenho atribuído a Francisco Rebolo |
| 1980 | Redesenho de Orfeu Maia: bandeira ondulada e novos detalhes |
| 1990 | Primeira estrela, pelo título brasileiro |
| 1998 a 2005 | Novas estrelas pelos Brasileiros e uma maior pelo Mundial de 2000 |
| 2011 | Retirada de todas as estrelas |
O redesenho de 1980
A forma que o torcedor conhece hoje foi definida em 1980 pelo artista plástico Orfeu Domingues Alves Maia. Ele deixou a bandeira mais ondulada e acrescentou detalhes e reflexos aos remos e à âncora. Desde então, o escudo passou por ajustes pontuais, mas a base é a mesma.
As estrelas que saíram do escudo
Em 1990, o Corinthians colocou a primeira estrela acima do escudo, pelo título do Campeonato Brasileiro. Vieram outras pelos Brasileiros de 1998, 1999 e 2005, além de uma estrela maior, adicionada em janeiro de 2000, pelo Mundial de Clubes conquistado naquele mês.
Em 26 de outubro de 2011, o clube decidiu retirar todas as estrelas, com o argumento de que todos os títulos são especiais e não caberia destacar apenas alguns. Por isso, conquistas posteriores, como a Libertadores e o Mundial de 2012, não ganharam estrelas no distintivo.
O remo ainda existe no Corinthians?
Sim. A modalidade que deu origem à âncora e aos remos segue ativa no Parque São Jorge, com equipes das categorias Sub-15 à Master, além de uma escola de remo. Segundo o clube, o Corinthians conquistou em 2025, pela segunda vez, o título mundial na categoria Master. Em 2026, foi campeão feminino, masculino e geral do Campeonato Sul-Americano de Remo Master, disputado em Assunção, no Paraguai.
Ou seja, os elementos náuticos do escudo não são apenas uma lembrança do passado. Eles representam um esporte que o clube pratica há mais de nove décadas e que ainda rende títulos.
Variações do escudo nas camisas
Nem sempre o escudo aparece nas cores tradicionais. Em 2010, a terceira camisa trouxe o distintivo em tom dourado, sem o vermelho. No centenário, no mesmo ano, a camisa bege usou um emblema retrô com as letras CP, inspirado no primeiro escudo. Em 2023, a terceira camisa amarela trouxe o escudo todo em preto. São versões pontuais: o distintivo oficial segue com a bandeira paulista, a âncora e os remos em vermelho.
Perguntas frequentes sobre o escudo do Corinthians
Por que o escudo do Corinthians tem âncora e remos?
Para homenagear os esportes náuticos, principalmente o remo, que o clube praticava no Rio Tietê, perto do Parque São Jorge. Os elementos vieram do distintivo do departamento de remo.
Quem desenhou a âncora e os remos do escudo?
O desenho é atribuído ao pintor Francisco Rebolo, que jogou no Corinthians nos anos 1920. Segundo o clube, a versão com âncora e remos estreou nas camisas em 1939.
Por que o escudo do Corinthians tem a bandeira de São Paulo?
A bandeira paulista foi incluída em 1919, junto com o nome do clube, para reforçar a ligação com o estado que aparece no próprio nome: Sport Club Corinthians Paulista.
Por que o Corinthians tirou as estrelas do escudo?
Em outubro de 2011, o clube retirou as estrelas que representavam os títulos brasileiros e o Mundial de 2000, alegando que todas as conquistas são especiais e não deveriam ser destacadas umas acima das outras.